O Sentido de tudo isso

Eis uma coisa que nunca permiti e que continuarei não permitindo nesse ano que começa: enquanto viver nesse meu quarto, não irei dormir com bestas noturnas que me roubam aquilo que me sustenta vivo. Primeira batalha de 2008, uma batalha no mundo físico, porque eu não preciso necessariamente somente ter conflitos intra e extra-pessoais, como costumeiramente ocorre, uma batalha noturna contra monstros voadores me parece até um pouco divertida. Dormir que não é divertido – é necessário, mas é um saco. Vou ganhando a guerra, por enquanto. Já eliminei alguns oponentes, e estou certo de que me aproximo de uma vitória, pelo menos por essa noite.

E isso é o quão engraçado eu consigo ser. Tá, não é, mas é o mais engraçado que eu consigo ser pra mim mesmo.

Tinha que aprender como usar o mim e o eu e todas essas regras gramaticais estúpidas do português nas quais eu sempre enrolei e nunca me dei ao trabalho de querer aprender. O instinto, até aí, sempre me favoreceu.

Bem, não me sinto exatamente como no começo do ano passado, e isso já é um avanço. Passei de ter esperanças de uma bela tragédia romântica em minha vida para conseguir, de fato, querer repelir essas esperanças estúpidas. Mas conseguir separar uma coisa da outra é bem difícil, considerando que eu me entendo tanto quanto entendo o Inland Empire, do David Lynch. Tem algum sentimento amargurado que eu costumava chamar de amor – um “what if” que não me sai da cabeça e que ainda me faz o coração pulsar quando eu olho pro meu celular em momentos como o ano novo, e me faz querer sair jogando tintas no Potter e escrever textos que toquem as outras pessoas(a) (sim, eu notei que estou me divertindo bastante usando negritos e itálicos hoje, grande coisa), tem a chamada “atração”, o impulso animal que eu tranco só para meu deleite individual (e não, não é isso que parece – mesmo) e que teima em querer proferir palavras que eu lhe tenho reservadas para qualquer um – o que eu posso fazer com elas? -, tem a obsessão, que mescla um pouquinho demais com o primeiro sentimento, não me deixa ter esperanças concretas de uma relação nova na qual sentimentos novos irão brotar (e é nisso que eu quero e não consigo acreditar) e tem, é claro, a amizade, o fato de eu realmente a admiro de tantas maneiras, de eu querer ficar perto dela, não quebrar o laço, ser uma companhia agradável.

Ainda tenho um pouco do fogo da redenção perante teus olhos dentro de mim.

Enfim, caí naquele assunto outra vez. Agora voltamos com o nosso supporting act (ninguém, nem eu – tá, eu talvez ainda -, agüenta mais a atração principal.

Tive de parar com meus melodramas (ainda que esses sejam lixo, comparados ao meu melodrama costumeiro) para continuar minha batalha, visto que o inimigo ainda têm uma ou duas unidades cuja habilidade me surpreende, e eu não posso parar até eliminar todos, pelo menos por essa noite.

Isso foi um oferecimento de: uma noite de banquete de sushi com a família Kern/Amaral que terminou tempestuosa. Bem, males foram remediados, mas ainda assim, quando a discussão começou não havia como simplesmente cortar-lhe pela raiz, então, como de costume, permaneci quieto. Depois que todas as palavras foram ditas, e então obviamente ninguém chegou à conclusão alguma (nunca se chega, quando não se tratam de escolhas exatas – e a incógnita dessa equação saía do campo das exatas), constatei que ninguém sabe nada ao certo, e isso, pelo menos por parte de minha mãe, foi tido como extremamente sábio, ainda que ela constatasse tal frase numa piada ébria.

Gosto de ser chamado de inteligente. Gosto porque quero acreditar que sou inteligente, já que não consigo me sentir e nem sequer agir de maneira inteligente. Sempre preciso do meu tempo pra ponderar sobre tudo, e costumo ponderar demais.

Espero meu inimigo atacar. Costumo esperar, ataco muito raramente por impulso próprio, e quando o faço, bem… Normalmente constitui minha lista de erros estratégicos, pois acabo executando o ataque de maneira mal estruturada, e o resultado costuma ser ou nulo ou… Bem, “messy” é a melhor palavra que pude encontrar agora.

E na minha procura sobre o sentido da vida, só uma frase oferece conforto efêmero:

“Try and be nice to people, avoid eating fat, read a good book every now and then, get some walking in, and try and live together in peace and harmony with people of all creeds and nations.”


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