We live in a beautiful world

Não concordo com as palavras que escuto agora, mas elas me passam a impressão do tempo em que eu quase acreditei nelas. Todas as minhas atitudes são impulsionadas pelo medo, e tenho medo que o medo destrua tudo que um dia fui.

Eu estou apaixonado pelo passado. Eu choro pelo passado, sem sequer palavras bonitas brotando pra justificar tal dor. Só o que tenho são memórias, é nelas que eu vivo, é nelas que eu depositei toda minha esperança, antes que eu me destruísse porcompleto. Por medo.

Tenho medo de não saber direito o que eu sinto, e falar besteiras o tempo todo. Agir de modo completamente contrário ao que eu penso não é problema pra mim, problema são as oportunidades que eu nem sei mais nada. Eu só penso nisso. Na possibilidade de, há três anos (quatro, talvez? sei lá, não importa) não ter sido o medroso que continuo sendo hoje em dia. Não mudo, eu sei. Mas hoje em dia não vejo mais razão pela qual mudar. A razão pela qual eu mudaria já se perdeu faz tempos, e eu vivo na sombra de tudo que foi, enquanto ela vive na luz do que é.

Por que eu não consigo parar com isso? Seria tão mais simples….

Começo a agir como se essa parte de mim estivesse morta, mas minhas ações são o mais perfeito disfarce para meus sentimentos – ou o que sobrou deles, o que eu não sei mais, nunca soube, nunca vou ter a oportunidade de saber.

Tenho palavras, tenho o sofrimento pelos meus erros irremediáveis, e vejo um futuro vazio no qual eu não vejo chance alguma de “cura” para meu estado.

Eu sou aquele olhar que te cuida discretamente, com medo de que alguém te pegue e te roube de mim, muito embora tu nunca tenho sido minha, e nunca poderia ter sido, de qualquer maneira. Eu sou o ódio que brota repetino quando alguém demonsta o mínimo interessante em ti, e sou também a culpa que me tortura por não conseguir deixar de sentir isso, querendo impedir qualquer possibilidade de um novo relacionamento pra ti. É egoísta demais, eu sei, mas… É como eu me sinto. Fico feliz por esconder as palavras pra mim.

Já estamos em realidades diferentes, e eu teimo em querer fazer parte da tua – e nada mais importa. Nada.

Eu sou completamente louco.

E daí eu te vejo conversando com qualquer pessoa e fico com medo de vocês gostarem um do outro, e tem uma menina que eu mal conheço dando em cima de mim. E então eu, maduro do jeito que só eu sei ser, fico com ela. A noite inteira. Eu sou egoísta. Eu queria que tu te sentisse como eu, eu queria poder voltar pra ti. Eu queria poder não ter medo de falar contigo, como eu sempre tenho.

E também tem o bonito fato de ter uma outra menina que de fato queria que eu ligasse pra ela, e eu não sinto nada. Continuo o mesmo, e tu tá tão diferente. O que eu sinto ainda é o mesmo, e tu sente tudo diferente.

Fiquei pra trás, e ainda te vejo lá na frente. Não quero chegar na linha de chegada sozinho.

Dormi pouco, por isso nem minhas palavras ficaram bem estruturadas. Talvez isso possa servir como exemplo de como eu me sinto por dentro. Tudo isso por aquela música. É só eu escutar, e ali estou. No teu quarto, música tocando, e eu e tu na cama. Nunca passou disso, e não me importo muito. Talvez. Só queria poder estar do teu lado, te entender como eu nunca pude, e escutar essa música. Não entrar em pânico.

Só assim eu poderia de fato concordar com o refrão da música: nós vivemos num mundo bonito.


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