Idéia tá aí, falta é coesão. E sono

Há uma árvore caída no pátio. Outras muitas já perderam suas raízes nessa chuva que não pára. O vento sopra forte, e meu chapéu me é surrupiado por um momento, antes que eu o segure fortemente contra minha cabeça.

E caminho na tempestade, no frio; cambaleante e em paz. Em paz como nunca estive. Minha tempestade mental que se alastre pelo mundo porque pra mim já passou, e agora eu sinto o carinho da água na minha pele, o vento carregado do peso das minhas punições individuais não me rouba o ar, e agora a brisa frio me traz apenas um sorriso, nesse frio que eu tanto esperei.

Pois meus passos desajeitados deixaram de ser por insegurança: é que há alguém andando ao meu lado. E embora eu saiba que não há certeza em nada, isso não me pesa como antigamente. Tenho tempo e não tenho mais medo de conversar. Quero encontrar a chave para poder ver além dos olhos verdes – que assustavam tanto a nós dois- e não preciso ter medo por saber que a porta não vai ficar aberta para sempre, simplesmente entrarei – de mãos dadas, dessa vez.

Encontro minha liberdade quando noto que a chave eu sempre tive em meu braço, o que faltava era encontrar a fechadura. As palavras certas virão com o tempo. Eu o tenho; e a mim mesmo.

E nos tenho, ainda que não consiga explicar direito – acho que não é algo que eu necessariamente precise compreender, mas sim viver, e é isso que estou fazendo, finalmente.


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