Aquele Dia

16/03/06 18:48

Eu quero me matar.

Eu quero muito me matar.

Eu fiz a coisa mais estupendamente ridícula que eu poderia ter feito.

Eu confiei nas palavras de uma “amiga” bêbada e joguei tudo com o que eu me importava no lixo. Eu conquistei o Nada.

Eu consegui ser odiado, excluí minha chance de ter algum futuro produtivo. Eu tentei pensar que era independente, mas sou um viciado.

Não posso viver sem ela, dói demais. Eu perdi meu orgulho, minha capacidade de continuar em frente, minha suposta inteligência.

Eu me tornei Nada. Ela nem ao menos me ligou hoje, no término do trabalho. Uma ligação que não custa nada para ela, mas que ameniza levemente minha constante dor.

Eu direciono minha vida conforme a direção que ela toma. Mas julgo ter me tornado um incômodo. Sou um dependente incômodo pela qual ela sente medo de ser a causa do suicídio. Apenas isso. Acho que ela me trata relativamente bem por medo que eu me mate.

Mas por que ela respondeu que também me amava? Por que ela simplesmente não arranca minha esperança e me deixar descansar para sempre? Por que ela permite que eu continue nesse caminho de dor e sacrifício? ……..

Porque eu mereço. Porque é a minha punição. Porque eu a machuquei. Porque eu fui vingativo e não pude suportar a dor, logo, acabei por dividir o sofrimento com ela.

Eu mereço.

É o desejo dela que eu continue vivo. Pelo menos é o que ela me disse, não sei se é o que ela realmente quer.

Mas eu preciso obedecer a isso. Eu a amo. Eu me odeio.

Eu quero morrer, mas não posso.

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Depois de quase cinco anos, eu consigo entender um pouco tudo que eu achava saber, mas distorcia.

Um dia eu entendo. Noutro eu supero, e sigo em frente.


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